Jogador de poker portador de ELA disputa o Evento #20 Freezeout do KSOP Brasília
João Paulo e Imprensa do KSOP

Jogador de poker portador de ELA disputa o Evento #20 Freezeout do KSOP Brasília

Poker é muito mais que um jogo, é inclusão. A história do brasiliense João Paulo Trindade, jogador de poker online portador de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica - doença degenerativa que provoca a destruição dos neurônios responsáveis pelo movimento dos músculos voluntários, a mesma que o físico Stephen Hawking portava), além de ser uma bela lição de vida, também mostra como o poker pode ser uma alternativa para pessoas que buscam motivação. Como é para João Paulo, que com a ajuda de um aparelho e software que lhe permitem manusear o computador, continua praticando seu hobbie e paixão, e até mesmo competindo em torneios.

João se comunica com o mundo sem que saibam da sua limitação. Com a ajuda de um software que lê sua retina, ele tecla com os olhos,  joga poker online como qualquer outra pessoa, e também conversa com seus adversários pelo chat. Sua esposa Yara conta que ele parou de dizer que tecla com os olhos quando questionado, pois as pessoas não acreditam.

Diagnosticado a mais de 10 anos, João Paulo jogava informalmente, mas foi depois da doença que a paixão pelo esporte aflorou, e ele passou a se dedicar mais ao jogo.

A comunicação de João é feita através do olhar e uma tabela, em códigos com linhas, colunas, letras e números. Assim, quando se comunica pessoalmente com uma pessoa, ele responde através dos facilitadores por meio dessa codificação.

Yara ressalta o empenho dos amigos para a participação de João nos eventos, além do esforço dele mesmo, pois o próprio toma conta dos detalhes, agendando ambulância, e combinando com os facilitadores tudo que deve ser feito para deixar prático sua ida ao torneio.

Emocionada, Yara agradece à organização, elogiando especialmente o atendimento de Samanta Ribas, diretora da equipe do KSOP, e Rafael Celebroni, responsável pela estrutura do evento. “Fomos muito bem recepcionados, a organização nos proporcionou o melhor atendimento possível, sendo até muito mais do que esperávamos”, conta Yara.

Flamenguista de coração, João é morador de Brasília, defensor público aposentado, e tem 2 filhos com sua esposa Yara. “Ele é um paizão e gênio”, diz encantada.

O KSOP teve a honra de receber João Paulo no evento. Além de inspirador, valoriza o “esporte da mente”, que João Paulo tanto defende, pois mostra que o poker não é mais algo de estigma, mas sim uma nova possibilidade de propósito e vida para as pessoas.

Por fim, Yara ressalta todo o esforço que os amigos fazem para que João participe de torneios ao vivo, pois devido à grande logística necessária (ambulância, cama e facilitadores), os eventos de poker são as oportunidades que João tem para sair de casa.

João é defensor da causa do poker como esporte e fica muito entusiasmado em participar dos eventos. Ele acredita que, assim, incentivará pessoas com limitações a acreditarem que tudo é possível.

                                                                                                    Por Paulo Barilka e Guilherme Alexandre

 

 

11 de setembro 2018 - 21:37